A Situação Atual Do Conhecimento De Inglês No Brasil

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação e os Parâmetros Curriculares Nacionais, tanto para o ensino fundamental como para o ensino médio, determinam o ensino de língua estrangeira. No entanto, especialistas, professores e até mesmo o governo reconhecem que o ensino de inglês na educação básica, seja privada ou pública, não consegue formar estudantes com um bom nível de proficiência nesse idioma. As principais causas, segundo esses interlocutores, são comuns a outros problemas identificados na educação básica: pouca estrutura para um ensino adequado da língua e turmas com número elevado de alunos. Somam-se a isso a carga horária insuficiente e a dificuldade de encontrar professores com formação adequada.

Nesse contexto, o ensino do inglês resume-se a noções iniciais das regras gramaticais, leitura de textos curtos e desenvolvimento da habilidade de resolver testes de múltipla escolha voltados para o vestibular. Mesmo representantes do governo admitem as dificuldades relativas ao ensino de inglês na educação básica. Os Parâmetros Curriculares Nacionais – que estabelecem o currículo de cada matéria – são bem avaliados, mas não conseguem ser plenamente aplicados na prática. Entre os fatores destacados para essas limitações, está a falta de estrutura adequada: não há laboratórios de línguas, por exemplo, já que há poucos recursos destinados

 

O nível de conhecimento de inglês do brasileiro

No Brasil, 5,1% da população de 16 anos ou mais afirma possuir algum conhecimento do idioma inglês. Existem, porém, diferenças entre as gerações. Entre os mais jovens, de 18 a 24 anos, o percentual dos que afirmam falar inglês dobra, chegando a 10,3% das pessoas nessa faixa etária. Para 2014, 9% das pessoas de 16 anos ou mais afirmam que pretendem iniciar um curso de inglês. A falta de um ensino básico de qualidade, somada ao baixo acesso a cursos privados de inglês, faz com que o mercado de trabalho tenha dificuldade em encontrar profissionais com proficiência na língua.

 

1.1 O conhecimento de Inglês do Brasileiro

População Brasileira de 16 anos ou mais.
5,1%Afirmam possuir algum conhecimento no idioma Inglês
9%Afirmam que, para o próximo ano, pretendem iniciar um curso de inglês.
População Brasileira mais jovem de 18 a 24 anos
10,3%Afirmam possuir algum conhecimento no idioma Inglês

Fonte: Fonte: Pesquisa Data Popular: Brasil em Perspectiva 2013

 

Os dados acima apontam para um crescimento significativo da população economicamente ativa no que concerne à aprendizagem do idioma inglês. Na atualidade temos verificado que para todas as áreas do conhecimento o idioma inglês permite uma ascensão profissional significativa, não somente por se tratar do idioma utilizado internacionalmente na área acadêmica e também tecnológica, mas também pelas possibilidades de expansão das fronteiras permitidas pelo avanço da Internet.

A busca por uma escola de idiomas é a principal forma de suprir a necessidade do inglês fora da formação básica. Escolas de idiomas foram apontadas como a solução mais buscada em 87% das respostas. As demais respostas se dividem entre a procura por professores particulares (6%), cursos na empresa (3%) ou na escola (Centro de Estudo de Línguas) (2%), cursos online (1%) ou através de fascículos e apostilas (1%). Mesmo entre quem já fez ou ainda faz algum curso de inglês, o nível de conhecimento atual declarado é o básico.

 

2.Nível de conhecimento declarado do idioma

(Entre a população que declara algum conhecimento do Inglês)

Fonte: Pesquisa Data Popular: Brasil em Perspectiva 2013

De acordo com os dados apresentados acima temos aqui um importante ponto a ser tratado. Dentro da perspectiva de aprendizagem de um idioma, existe uma longa distância entre o estudado e o assimilado. Muitas pessoas tendem a estudar o idioma inglês em diversas instituições e frequentemente temos visto o baixo índice de aproveitamento destes estudos se colocamos em pauta principalmente a habilidade oral. O idioma inglês devido à sua proximidade com a nossa cultura, advindo dos meios de comunicação (principalmente a internet), torna possível a familiaridade com a habilidade de leitura. Porém quando falamos em comunicação, os resultados não são animadores. Declarar que se tem conhecimento linguístico num Currículo pode efetivamente representar uma falsa informação.

 

3. Demanda para o Ensino de Inglês

O porte e a nacionalidade da empresa contam muito para definir a necessidade do conhecimento do inglês. A abrangência da empresa também determina o nível médio de inglês exigido pelos funcionários, para além de sua área de atuação. Empresas multinacionais de grande porte, com matrizes estrangeiras, exigem inglês em todos os níveis hierárquicos – desde a recepção até cargos de gerência. Nesses casos, o inglês exigido é mais voltado à comunicação interna e àquela com fornecedores e clientes. Cursos com enfoque na comunicação oral, assim, tendem a causar um efeito ainda maior no dia a dia da empresa multinacional de grande porte do que para as demais.

O INGLÊS É O IDIOMA DOMINANTE NOS NEGÓCIOS INTERNACIONAIS.

Pesquisa Business English Index/Global English 2013 com executivos de 77 paises.

Fonte: Pesquisa Data Popular: Brasil em Perspectiva 2013

91%Executivos entrevistados que afirmam que o inglês é o principal idioma dos negócios
9%Afirmam que o inglês não é o idioma principal dos negócios, não sabem ou não responderam

 

 

4. Demanda e Público-alvo para o ensino de inglês: a adequação da oferta

Para entender a demanda atual por cursos de inglês e como a oferta existente é percebida pelo consumidor estudado, nosso estudo incluiu entrevistas com pessoas que já fizeram ou estão fazendo um curso de inglês e também com quem pretende fazer um curso de inglês nos próximos doze meses. De cada dez entrevistados, nove tiveram aulas de inglês na formação escolar básica.

Ampliar o conhecimento e conseguir emprego são as principais motivações para cursar inglês. Conseguir um bom emprego aparece com mais destaque entre os que já estão estudando (para 33% deles) do que entre os que pretendem estudar (para 16%). Já quanto à expectativa de que os conhecimentos de inglês ajudem a aumentar o salário, o quadro é inverso: 6% dos que já estudam acreditam que o salário será aumentado em decorrência desse conhecimento, enquanto 12% dos que ainda pretendem estudar mantêm a expectativa de que o salário aumente como função de ter realizado um curso de inglês.


Fonte: Pesquisa Data Popular: Brasil em Perspectiva 2013

 

A escassez de tempo e de recursos faz com que as pessoas evitem cursos que pareçam lentos ou de longa duração. Para 88% dos que pretendem iniciar um curso de inglês, este não deve durar mais de dois anos. Para quem já fez ou está fazendo um curso de inglês, o percentual dos que acham que este não deve durar mais de dois anos é de 75%.

5. Competências e práticas

 

Em relação às competências, a leitura é a atividade praticada com mais frequência, porém as maiores dificuldades estão na fala e na compreensão. Tanto entre quem já estuda como entre quem pretende estudar, 76% fazem uso da leitura com alguma frequência.

A percepção de que sua capacidade para a comunicação oral é insuficiente faz com que os participantes deem prioridade para a fala (em 50% das respostas) e para a compreensão (em 37% das respostas) entre as competências a serem desenvolvidas em um curso. Essa ênfase precede a preocupação com a gramática. Os métodos de ensino favoritos estimulam constantemente a conversação: a preferência declarada é por aulas em inglês, que “forcem” o desenvolvimento das habilidades do aluno. Essas conversas, na visão dos respondentes, podem ser estimuladas antes mesmo de um aprofundamento sobre as regras gramaticais da língua. A melhor forma de treinar essa conversação, para eles, é discutir assuntos atuais e diretamente relacionados ao seu dia a dia profissional e pessoal.

Interessante notar que as competências e percepções do público sobre o ensino de inglês casam com as demandas expressas pelas empresas. Tanto o departamento de recursos humanos das empresas quanto o público em geral valorizam a conversação e o inglês voltado para o cotidiano empresarial. A análise dos objetivos tanto das empresas como do público sugere cursos rápidos e eficientes, com foco na fala e na compreensão oral e ensino de termos específicos de cada área de atuação, conferindo utilidade imediata à língua.

Fonte: Pesquisa Data Popular: Brasil em Perspectiva 2013

 

 

6. A escola de Inglês: fatores que influenciam a escolha

 

O horário de funcionamento é fator crucial no momento da escolha da escola de inglês. Para quem pretende fazer um curso, a flexibilidade de horários é o atributo mais importante. Quem já está cursando coloca a qualidade do material e do método didático em primeiro lugar. Na avaliação da relação custo-benefício oferecida pelas escolas de inglês, três conjuntos de critérios entram em cena: preço, didática e estrutura do curso. Este último inclui o tamanho das salas, a localização, horários e recursos multimídia.

Preferencialmente, a escola deve estar localizada perto de casa ou do trabalho. Entre os perfis de entrevistados, vemos que as mulheres e jovens preferem a escola mais próxima de casa (para 50% deles). Outro aspecto da estrutura é o número de alunos por sala. Existe a percepção de que o tamanho das turmas interfere na qualidade do curso de inglês.

Horários flexíveis e disponibilidade para atividades extras são qualidades mais valorizadas nos professores de inglês, acima da própria formação profissional do professor.

Fonte: Pesquisa Data Popular: Brasil em Perspectiva 2013

 

 

7. Curso Online

 

Estudar inglês via internet, por si, não parece ser uma proposta ruim. O modelo 100% online desperta interesse de mais da metade dos entrevistados, mas há preferência pelo modelo presencial.

A necessidade de se economizar tempo e dinheiro faz do curso online uma opção atrativa. Um curso de inglês 100% online surge como uma opção conciliadora de horário – por conta da flexibilidade – e da relação custo-benefício, além de também atrair por dar suporte extra a um curso presencial. Mas a falta de contato com o professor e a necessidade de forte autodisciplina são fatores associados negativamente aos cursos online. Portanto, a presença de um professor e o comprometimento com o curso são fatores de atratividade para cursos presenciais. Além disso, o uso da internet como plataforma educacional pode não ser uma opção.

Assim, cursos de inglês inteiramente à distância ainda são vistos com alguma desconfiança. Os participantes afirmam que os cursos online exigem muita disciplina, e por isso é muito difícil se dedicar a eles. A falta de cobrança de presença e a concorrência com outras atividades – como o lazer e o cuidado com o lar – fazem com que os alunos abandonem o curso facilmente. O brasileiro ainda prefere uma relação “olho no olho” com os cursos de inglês, com a presença física do professor, o que faz com que a qualidade do curso online seja vista como inferior à dos cursos presenciais.

Fonte: Pesquisa Data Popular: Brasil em Perspectiva 2013

 

Assim, um suporte online deve fugir do óbvio para aproveitar as vantagens da virtualidade. Por exemplo, um site com exercícios simples, fáceis e repetitivos, além de colaborar pouco com o aprendizado, não funciona para atrair os alunos. Outro erro é não ter a preocupação de exercitar a linguagem própria da internet e ignorar a necessidade de um manuseio efetivo de suas ferramentas. Para evitar tais armadilhas, o suporte online deve propor exercícios que trabalhem as quatro habilidades de modo lúdico e pouco usual. O recurso das salas de bate-papo (escrito e falado) ganha com a presença de alunos brasileiros e estrangeiros, o que possibilita treinar a pronúncia com sotaques diferentes. Outro aspecto é desenvolver aulas de inglês instrumental para facilitar o manuseio de ferramentas virtuais.

 

Conclusão

 

O curso ideal de inglês deve ter mensalidade acessível, aulas dinâmicas faladas em inglês, duração aproximada de dois anos, conteúdo instrumental, atividades extraclasse e suporte online.

Apesar de ser percebido como uma boa ideia, o curso online ainda é objeto de ressalvas por parte do brasileiro.  Muitos acreditam não ter a disciplina necessária para seguir um curso 100% online.

A maior motivação para a demanda por cursos de inglês pela nova e crescente classe média é de caráter bastante prático. Busca-se garantir a própria empregabilidade e propiciar a continuidade do crescimento social obtido. Um entendimento dos fatores que podem levar esse grande contingente populacional a acorrer em maior número aos cursos de inglês é primordial. O presente estudo traz claros indícios de que esse esforço de compreensão ainda está por se realizar, devendo levar a um significativo ajuste nas características dos cursos atualmente ofertados.

 

Leave A Comment